Pular para o conteúdo principal

HEBE




Poucos artistas da concorrência tiveram espaço na Rede Globo, como Hebe Camargo 
                                                              
           A primeira dama da televisão brasileira, Hebe Camargo, agora anima outro palco, em outro cenário, para outra platéia.    
           Vencedora porque ousada, não tinha medo do ridículo e, com isso, mantinha bons índices de audiência em seu programa. Fora isso teve uma vida vitoriosa e trabalhou até ser convocada para o andar lá de cima.
           Hebe era a versão feminina de Chacrinha, aquele que eternizou a frase mais usada nos meios acadêmicos de comunicação: “Quem não se comunica, se trumbica”. Com essa receita, conseguia levar para seu programa a elite da música brasileira e internacional.
           Hebe e Mara foram os únicos artistas de emissora concorrente a merecer espaço na programação da TV Globo, pelo talento e amizade com seus gestores e apresentadores.                   
           Hebe Camargo, que desde criança sonhara em ser artista, saiu de sua cidade Taubaté, para morar na capital paulista, em casa de parentes, na condição de empregada doméstica. E assim viveu, paralelamente, participando de programas de calouros, sempre tirando primeiro lugar, recebendo dinheiro como prêmio, para ajudar os pais e irmãos, oito no total.
           Ironia do destino, Hebe se foi no dia da exibição final da novela Cheias de Charme, da Rede Globo, onde a trama gira em torno de três empregadas domésticas que realizam o sonho de cantar.     
           Hebe Camargo vivia à frente do seu tempo e demonstrou isso, antes mesmo de sua estréia na TV. Ao contrário do que muitos veículos de comunicação divulgam que Hebe participou da inauguração da primeira televisão brasileira, no caso, a TV Tupi, ela faltou ao evento e contava isso tirando a maior onda. Nas duas vezes em que esteve nos programas de Jô Soares, contou bem-humorada sobre o episódio. No Jô Soares Onze e Meia, ela se desculpou alegando que estava gripada e que Lolita Rodrigues cantou em seu lugar. Rindo, comentou: “Quando vi a Lolita cantando aqui, pensei, do que eu escapei?”, falou se referindo a música feita por Guilherme de Almeida, que ela teria que cantar naquela inauguração e que sobrou para Lolita. Em outras entrevistas dizia que seria o maior mico da vida dela. Mas assumiu que estava apaixonada e preferiu sair com o namorado.    
          Quem vê a Hebe na televisão não tem ideia do quanto é simples, humilde, gente boa. É nos bastidores que se conhece o verdadeiro artista, aquele que sorri, que chega para as pessoas e toca-as ou deixa ser tocado, longe dos holofotes. Nesse ambiente o artista mostra sua personalidade, sem maquiagem e sem máscaras.
          Mas Hebe se revelava nos intervalos do seu programa. Nesses momentos, ela tinha o prazer e a maior satisfação em pegar na mão de um ou outro artista e levá-lo até a sua platéia, para conhecê-lo de perto, tocá-lo, muitas vezes. Nas vezes em que presenciei essas cenas, a impressão que tinha, é que Hebe se via entre aquele auditório, era como se ela estivesse lá, sentada, admirando seus ídolos. Mas agora tinha o privilegio de estar entre eles e podia proporcionar um pouco mais de alegria para seu público.
          A última vez que vi a Hebe participar de um programa de televisão foi há uns quinze dias, numa quarta-feira, durante o programa O Melhor Brasileiro de Todos os Tempos, apresentado pelo jornalista Carlos Nascimento, no SBT. Naquela noite, escolhia-se o melhor entre Juscelino Kubsticheck e Pelé. Hebe participou pelo telefone, votou em Pelé e justificou seu voto. Aplaudida, agradeceu ao SBT e fez questão de dar um recado. Hebe quis deixar registrado que o SBT nunca atrasou o salário dos seus funcionários. O aviso tinha endereço certo.  
         Como se sabe, Hebe estava há pouco mais de um ano na Rede TV. Dias depois dessa participação no SBT, foi divulgado que toda sua produção havia sido demitida. Era o fim de Hebe na emissora que havia trocado pelo SBT, onde trabalhou por 24 anos.
         Pelo Twitter comemorou na quinta, dia 27 de setembro:
"Meus lindos, nem acredito!!! Estou de volta ao SBT, meu coração está disparado! Feliz feliz feliz feliz!!!".
        Surpreendentemente eis que Hebe foi convocada para animar o céu e, imagina-se, chegando lá, deu um selinho em São Pedro e disse:         
         - Gracinha.    

        

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

ONDE ANDA OLGA BONGIOVANNI

A televisão brasileira nos últimos tempos tem revelado talentos na linha do humor. Há muito não aparece alguém que se destaque por sua atuação na linha de programas de auditório, a não ser Eliana, nas tardes de domingo, no SBT, com bons índices de audiência.        Em 1999, a cidade de São Paulo serviu de cenário em uma forte campanha de marketing para divulgar nova atração na TV Bandeirantes. Centenas de outdoors espalhados pela cidade anunciavam a apresentadora do programa matutino Dia a Dia, Olga Bongiovanni, um nome desconhecido do grande público, até então.        Quem seria aquela mulher, já aparentando algo em torno dos quarenta anos de idade, causando curiosidade tão comum em jornalistas que cobrem a mídia? No dia prometido para a estréia, quis saber de quem se tratava pois, certamente, de alguém que valeria a pena todo aquele investimento.        Eis que surge uma pessoa simpática, bonita e magra, ingredientes para o caminho do sucesso numa carreira em televisão. Porém, Olga B…

CENTENÁRIO DE DIX-HUIT ROSADO

DIX-HUIT ROSADO
        No dia 21 de maio de 1912, há cem anos, nascia em Mossoró, Rio Grande do Norte, Jerônimo Dix-huit Rosado Maia, filho do paraibano de Pombal, Jerônimo Ribeiro Rosado, casado em segundas núpcias com a conterrânea, Isaura Rosado Maia, irmã da primeira esposa, Maria Amélia Henriques Maia, de quem enviuvara.  Jerônimo era filho de um português de Coimbra, Jerônimo Ribeiro Rosado, que residia há muito tempo em Pombal. Formado em Farmácia, pela Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, o Jerônimo Rosado, ou seu Rosado, como era tratado em Mossoró, migrou para esta cidade, em 1890, à convite de um médico, com quem se associara para abrir a Farmácia Rosado. Seu Rosado registrou seus filhos e filhas com nomes esquisitos, o que já rendeu a participação de alguns de seus descendentes no Domingão do Faustão. Seu biógrafo, Luís da Câmara Cascudo conta no livro lançado em 1967, Jerônimo Rosado – Uma Ação Brasileira na Província que, seguindo a …

O SUCESSO DA REFIMOSAL