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BORIS CASOY: UM APAIXONADO POR BICICLETAS


Em meados de 1994, fui procurada pelo amigo fotógrafo João Santos, à época, editor de fotografia da revista CONTIGO. João Santos é um profissional que vive procurando investir seu tempo e dinheiro em outras atividades. Ele havia lançado naquele ano, uma revista dirigida para lojistas de bicicleta, então pediu algumas ideias e sugeri que colocasse celebridades que curtem bicicletas, ciclismo, enfim. Tudo estava indo bem, porém, ele entendeu de colocar o jornalista Boris Casoy e seu repórter não estava conseguindo entrevistar o Boris, muito ocupado com o TJ Brasil, que apresentava no SBT. Devido a minha proximidade com o Boris, com quem tive uma experiência profissional no mesmo TJ Brasil, João Santos passou a tarefa para mim, o que fiz de imediato. Essa seria a primeira de quatro entrevistas que faria para a revista, depois com Luciano do Valle, Eliana e  com o italiano Rinaldo Rondina, um bicicleteiro tradicional de São Paulo, que brevemente postarei. Nessa entrevista com o Boris, ele abriu seu coração sobre a paixão pela bicicleta e sua poliomielite.      


Por Lúcia Rocha
Revista O Bicicleteiro
Agosto de 1994
Fotos de João Santos  



Boris Casoy pedala pelas alamedas de Alphaville


A bicicleta é uma velha companheira do maior âncora do telejornalismo brasileiro. Ela faz parte da vida do apresentador desde a infância

O jornalista do TJ Brasil, no SBT, Boris Casoy, é o mais conceituado apresentador da televisão brasileira. Seus comentários indignados quanto a situação da política, não impediram que a CPI do Congresso Nacional se transformasse ‘em uma pizza com marmelada’, porém seus pontos de vista são respeitados por todos. E, com a  entrada do Plano Real e a proximidade das eleições, suas opiniões se tornam indispensáveis para quem deseja estar bem informado. O que poucos sabem, é que a seriedade de Boris Casoy se transforma em um sorriso quase moleque quando ele fala de uma de suas paixões: a bicicleta.

Desde criança Boris acalentava o sonho de ganhar uma bicicleta. Segundo ele, essa paixão estava estreitamente relacionada a um problema físico que o atingiu ainda na infância, a poliomielite. Diante daquele drama, Boris recorda que a esperança de ganhar o presente só era comparável ao de ter um carro: “Vi as outras crianças passeando em suas bicicletas e sonhava com o dia em que teria a minha”, lembra emocionado.

Aos nove anos de idade, Boris foi operado e viu aumentar a chance de ganhar a primeira magrela, mesmo porque o médico recomendara que a fisioterapia seria todinha feita em cima de uma bicicleta. Levado pela mãe a uma loja, Boris ganhou um dos modelos da Monark aro 20, que estava bem longe de ser a de seus sonhos. Na época, ele cobiçava uma bicicleta Phillips inglesa, que pertencia ao irmão Júlio, dez anos mais velho que ele.  “Esteticamente aquele modelo Phillips era tentador, com um estilo forte e resistente”, confessa. Em uma recente viagem à China, pude ver inúmeras cópias desta marca. Na verdade aquele país é o reino das bicicletas. Ainda hoje me deparo com alguns desses modelos muito bem conservados em cidades do interior de São Paulo”, revela.

Da antiga Monark, Boris recorda, entre outras coisas, que o freio era no pedal. Parava de pedalar e a bicicleta brecava aos poucos. Tempos depois, o pai mandou reformar a boa e velha Phillips e a deu para Boris. “Ela voltou linda, cheirando tinta niquelada. Comprei até um farol a dínamo e, na garupa, levava uma bola, jornais e livros para a escola”, conta. Dizendo ter se tornado um viciado em bicicleta, Boris alega que não via a hora sair pedalando. “Minha mãe se preocupava muito. Minha doce vagabundagem era andar de bicicleta e jogar futebol”, desabafa. “A bicicleta deu asas à minha pré-adolescência”, completa.

Na época, morando no Jardim Paulista, bairro de São Paulo, Boris usava a bicicleta em passeios pelo Itaim e estradas próximas, lugares que eram considerados distantes. Por duas vezes fraturou o braço em quedas “absolutamente bestas”, como ele mesmo diz. O próprio Boris fazia questão de cuidar com carinho de sua bicicleta. Era ele quem lubrificava, regulava os raios, trocava borrachas do freio e fazia a manutenção até exagerada. Só não consertava os pneus.  Neste caso, preferia levar para uma antiga bicicletaria na Rua Oscar Freire.

Em 1976, Boris comprou uma bicicleta Caloi 10, cor prata. Porém ele quase não a usava por achar que o selim era desconfortável. Levou-a em uma bicicletaria em Alphaville, bairro onde mora, para uma pequena reforma que incluiu a troca do selim por um modelo mais confortável. Além desta, Boris possuiu também uma moderna mountain bike de alumínio, a Special Hunter, da Three Heads, de 21 marchas e com o conjunto completo Shmano Alívio. E ele faz questão de conservar as duas. “A mountain bike é para mim e a outra posso emprestar para alguém que queira pedalar comigo. Gosto tanto de bicicletas que sempre procuro me informar sobre o assunto. Além do mais, quando possível, tento presentear meus afilhados ou filhos de amigos com bikes”, revela.

Empolgado com a mania de pedalar que tomou conta do país, Boris recorda que muito antes da febre por bicicletas com marcha atingir a garotada, ele já exercitava a sua Caloi 10. Lembra, inclusive que, ao comprar a bicicleta, acreditou que tivesse a mesma resistência dos velhos tempos. Saiu para pedalar mais do que devia e o máximo que conseguiu foi uma taquicardia, que fez ter consciência da idade. “Sentei-me na calçada para descansar e depois fui ao cardiologista. O médico disse que eu estava ótimo, apenas advertiu que eu já não tinha mais treze anos”, ri, ao recordar o fato.

Quando sai para pedalar próximo à sua casa, Boris faz questão de se arrumar. Sempre coloca uma roupa confortável e bonita, que reafirma o seu amor por bicicletas. O mesmo amor que o levou, aos dezoito anos, a trabalhar na Federação Paulista de Ciclismo. Na época, Boris era bancário e foi convidado por Ragi Saad – apresentador de um programa sobre ciclismo na Rádio Pan-americana – para assumir o cargo de Secretário Geral da Federação Paulista e Ciclismo, no final dos anos cinquenta. Hoje, Boris alega que o ciclismo está muito melhor do que naquela época. “O ciclismo se popularizou demais, não como competição, mas entre as pessoas, inclusive com os Night Biker’s. Sei que eu também deveria pedalar com maior frequência, pois bicicleta é algo muito gostoso. Quero voltar aos passeios para manter a forma”, promete Boris.

Boris posa com uma de suas bikes

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