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ONDE ANDA OLGA BONGIOVANNI


Despachando a mudança
Em Cascavel, arrumando o novo lar

        
   A televisão brasileira nos últimos tempos tem revelado talentos na linha do humor. Há muito não aparece alguém que se destaque por sua atuação na linha de programas de auditório, a não ser Eliana, nas tardes de domingo, no SBT, com bons índices de audiência.
       Em 1999, a cidade de São Paulo serviu de cenário em uma forte campanha de marketing para divulgar nova atração na TV Bandeirantes. Centenas de outdoors espalhados pela cidade anunciavam a apresentadora do programa matutino Dia a Dia, Olga Bongiovanni, um nome desconhecido do grande público, até então.
       Quem seria aquela mulher, já aparentando algo em torno dos quarenta anos de idade, causando curiosidade tão comum em jornalistas que cobrem a mídia? No dia prometido para a estréia, quis saber de quem se tratava pois, certamente, de alguém que valeria a pena todo aquele investimento.
       Eis que surge uma pessoa simpática, bonita e magra, ingredientes para o caminho do sucesso numa carreira em televisão. Porém, Olga Bongiovanni tinha algo a mais do que esses atributos. Dona de uma vasta cultura e um excelente vocabulário, que permitia dizer, naquele momento, tratar-se de alguém que lê bastante livro. Logo cheguei à conclusão que seria do interior, de qualquer estado do país, apesar de não ter sotaque nenhum.  
       Por quê? Simples. A mulher do interior tem mais tempo de investir em conhecimento. Ler livros, não apenas jornal, revista, bula de remédio, tudo que lhe cai às mãos. E esta mulher do interior, quando pega um jornal, não faz uma leitura básica, lê e quer saber dos assuntos a fundo. Lembremos que Hebe Camargo era do interior, Taubaté. Sem nenhuma graduação, mas com uma bagagem de conhecimento que certamente incluiu muita leitura. Assim, entrou para a história da televisão brasileira como a melhor apresentadora de todos os tempos. Com salário inimaginável para uma oitentona.   
      Voltando a Olga, gostei do que vi e concordei que, embora não soubesse a origem dela, a apresentadora merecia todos os vivas e seria muito bem-vinda a São Paulo, uma cidade que acolhe bem migrantes e imigrantes.
     Aos poucos Olga foi se revelando e, sim, é mesmo do interior, de Santa Catarina. Antes de atuar em televisão, foi radialista, provando que o rádio é uma grande escola para quem quer descolar em TV. Olga apresentava programa de televisão em Cascavel, Paraná, quando outro talento a descobriu durante uma entrevista em seu programa, o saudoso Beto Carrero, que apadrinhou, sua ida para a Band São Paulo, onde permaneceu durante cinco anos. Da Band, Olga partiu para outras emissoras como Gazeta, Aparecida e Rede TV. Na TV Gazeta apresentou programa matinal que ultrapassou a audiência do seu antigo Dia a Dia.

      Nunca estive com Olga, mas continuei fä de seu estilo de apresentadora, na dela, que não fala pelos cotovelos, que respeita o espaço do convidado, que não atropela a fala do convidado, que conversa pausadamente o suficiente para o telespectador entender cada assunto levantado, que sabe se portar com discrição, enfim, Olga é uma apresentadora completa. E simples.
    No final do ano passado, Olga Bongiovanni decidiu retornar para Cascavel, onde tudo começou e, usando as redes sociais, comunicou ao seu público, numa transparência fora do comum. Com fotos, inclusive. Não deve ser fácil retornar ao começo, mas isso acontece com os melhores profissionais em qualquer ramo de atividade. Só os grandes são capazes de gestos maiores ainda que seu talento. “Triste daquele que tem seu nome maior que sua arte”, diz a música de Reynaldo Bessa.
      Olga Bongiovanni retorna ao seu chão depois de treze anos de São Paulo ter-lhe dado boas vindas de uma maneira fabulosa, como poucos migrantes tiveram ou têm esse privilégio e agora deixa o público que conquistou em nível nacional, para voltar à sua doce vida de interiorana, para cuidar de sua casa, suas plantas, sua horta, ver e rever amigos, família, enfim, seu círculo de conhecidos.
       Olga volta também para a TV e para o rádio, dona de um texto que merece a publicação de, pelo menos, um artigo mensal, numa grande revista. Tomara que isso aconteça.
       Cabe a Olga, de agora em diante, no seu novo projeto de vida, receber convidados que conheceu em São Paulo, personalidades de nível nacional, em passagem por Cascavel, para divulgar agenda de shows, palestras, lançamento de livros, discos, DVDs, enfim.
      Para o público que tem acesso a rede mundial de computadores – e a novidade agora são aparelhos de televisão que já podem ser acessados também pela internet – Olga Bongiovanni pode ser vista de qualquer lugar do mundo. Ou ouvida, como no caso do rádio, até mesmo por um aparelho de celular.  
      Desejo, sinceramente, que Olga Bongiovanni leve para Cascavel o que de melhor colheu em sua passagem por São Paulo, em termos de produção, direção e outros conhecimentos que adquiriu nos bastidores das emissoras por onde passou, enriquecendo o nível de profissionais da TV Tarobá, afiliada da Band, onde irá comandar programa.
      Todo recomeço é bom e salutar, sob o ponto de vista pessoal. O nome de Olga Bongiovanni fica registrado na história da televisão brasileira como uma excelente profissional, alguém que se preparou ao longo do tempo para chegar aonde chegou. Se chegou a São Paulo, é porque atingiu o nível de excelência. Fazer sucesso em São Paulo não é para qualquer um e Olga não é qualquer um.
      Olga estréia na TV Tarobá com o programa Atualidades, dia 25 de fevereiro, de segunda a sexta, a partir das 11h10 e estará disponível pelo www.tarobacascavel.com.br também no Satélite Digital Star One C1 - Banda C.
      Olga é gente que nasceu para brilhar.                 
      Em contato com Olga, solicitei um texto, onde explica motivos e projeto de vida.
      Obrigada e sucesso.


Olga, de volta à TV Tarobá  

      Segue o recado de Olga:  
              
      “Voltei para minha casa, para viver com a minha gente. Somente eu e Deus sabemos dos prazeres, dos sabores, das perdas, das alegrias, da saudade e das conquistas que foram esses treze anos em São Paulo, mais ninguém. Cresci profissionalmente e como ser humano, conquistei muitas coisas, algo inimaginável para a menina pobre do interior de Santa Catarina, que conheceu o Brasil em muitas viagens, que viajou pelo mundo fazendo matérias e conquistou reconhecimento profissional. São Paulo é maravilhoso, tive tudo o que pensei. Convivi com pessoas especiais que hoje são meus amigos. São Paulo é agradecimento. Mas, olhando para trás, inevitável uma profunda análise, análise de uma vida inteira. Hoje, quase aos sessenta anos de idade, quero poder passar um Natal, um Ano Novo, um aniversário junto dos meus. Quero receber meu filho com sua família em minha casa, pode ser na segunda, na terça, ou em qualquer dia que quisermos. Quero cultivar minha horta, contemplar e sentir o perfume das flores do meu jardim. Alimentar a cada manhã os pássaros que graciosamente me despertarão com seu cantar. Quero ligar para minha irmã, convidá-la para almoçar comigo em qualquer dia da semana e encher minha casa de sobrinhos com suas famílias. Reunir meus amigos queridos que estejam  mais perto. Quero perder menos tempo no trânsito e não precisar de seguranças para me locomover. Preciso de olhares verdadeiros e de respostas rápidas. Não preciso de luxo, fotos, festas badaladíssimas. Tudo isso é menor que a saudade que ficou tatuada no meu coração, por isso voltei. Preciso estabelecer o equilíbrio de tudo isso: o TER e o SER. Sei que sou um ser humano abençoado por Deus, tenho muito mais que um dia imaginei e que preciso, mas sei também que tenho muito ainda por fazer e devolver à sociedade tantas conquistas que me proporcionou. Em mente um novo projeto, que por certo resgatará velhos problemas, do sem leito ao sem teto, do injustiçado ao desprovido de amor. Todos estarão no foco das lentes da nossa TV Tarobá. Posso não ser o dia, mas quero ser a sua alvorada. Posso não ser o seu guia, mas quero ser a seta indicando o caminho para o seu porto seguro. Por tudo isso, não quis mais numa cidade com 22 milhões de habitantes, como na Grande São Paulo, quero menos e mais. Menos loucura, mais tranquilidade. Sei também que nada acontece por acaso e que todos nós temos uma missão a cumprir. Já consegui realizar muito. Muito além das minhas expectativas, e tenho consciência que muito ainda tenho por fazer e vou realizar. Tenho como lema de vida a caridade, a compreensão, a tolerância, o perdão e o que há de mais sublime no ser humano: o amor ao próximo. Preciso agradecer a cada dia e, acima de tudo, Seu Antonio e Dona Delfina, meus pais, que moldaram meu caráter”.

Olga em clima de produção na véspera da estreia 


Comentários

  1. Lamento pq há tempos não assisto a um programa seu na tv. Mesmo assim, desejo boa sorte e q os Espíritos de Luz te guiem.

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  2. Também gostava do jeito Olga. E por sorte vim morar e estudar en Foz do Iguaçu e ligando a TV la estava ela. Vejo quase todos os dias que posso rss.

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  3. Olga,amo vc de todo o meu coração, que Deus te abençoe e te dê muita paz e saúde .feliz ano novo,que vc seja muito feliz.

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  4. Olga é uma ótima apresentadora. Pena que não tá na rede da Band. Excelente texto Lúcia.

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