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CASCUDO PARA INICIANTES







Embora reconhecido internacionalmente, Câmara Cascudo faleceu sem que a maioria de seus conterrâneos conhecesse sua obra. A juventude, principalmente, sequer sabe que seus livros são testemunhas de que esse grande folclorista viveu com intensidade pelos sertões. Senão não teria escrito com tantos detalhes tudo que se refere a folclore e o sertão.
    Filho único de um dos homens mais ricos de sua época, Cascudo foi criado por duas amas, a quem se deve seu interesse pelo folclore, pois não cansava de ouvi-las cantando as cantigas de ninar. Adolescente ainda, estudou em um externato feminino, depois em um colégio religioso, para conviver com meninos. Mais adiante pegou dois professores particulares selecionados pelo grupo familiar entre os mais qualificados da comunidade. O pai, então, bancou um jornal para que Cascudo publicasse seus escritos.   
    Cascudo iniciou o curso superior na Escola de Medicina da Bahia. Em seguida transferiu-se para o Rio de Janeiro, dando continuidade ao curso, até o quarto ano. Isso, por volta de 1922, quando assistiu a Semana de Arte Moderna e iniciou um relacionamento de amizade com Mário de Andrade, que trouxe ao Rio Grande do Norte. Mas Cascudo desistiu do curso médico e ingressa na Faculdade de Direito do Recife, onde passou a conviver com intelectuais e artistas.
     O pai de Cascudo era um homem tão rico que chegou a ter mais de mil afilhados. O pai, que dissera a Cascudo o que era o sertão, que o levara ainda menino na serra de Martins em busca de clima. O pai que fizera um cinema em Natal com sessões diárias que só iniciavam depois que sua esposa chegasse, morreu pobre e, para sobreviver, Cascudo teve que lecionar, tornando-se depois destacado folclorista e etnógrafo. Um nome tão conhecido entre nós quanto no exterior.
     O mais admirável em sua obra é a riqueza de detalhes com que escrevia, sobretudo com as coisas relacionadas ao sertão.
     O leitor encontra em cada capítulo de Tradições Populares da Pecuária Nordestina uma descrição de tudo o que diz respeito ao bumba-meu-boi, vaqueiros, curandeiros, figuras lendárias, o aboio e  vocabulário sertanejo.    
      Cascudo consegue descrever nos mínimos detalhes a fazenda de gado: a casa de taipa, suas divisões físicas. “...Muitas e muitas casas tinham apenas duas portas, a de entrada e a dos fundos, pegada à cozinha”; a respeito dos cômodos:  “... o quarto grande era, em boa percentagem, dispensa.Guardavam ali os queijos...”; sobre o cardápio: “... bebia-se pouquíssimo leite puro, cru ou cozido, leite era com alguma coisa, leite com jerimum, com batata – indigesto demais – com farinha...”; sobre rotina: “Os homens acordavam ao quebrar da barra para a labuta do curral...”; sobre costumes: “antes de dormir a meninada lavava os pés e ficava ouvindo a conversa dos grandes...”;  ou então: “almoço às nove, jantar às três ou quatro, ceia às seis...”; profecias:  “... bodes e carneiros, enrolados na denominação comum de capados, anunciavam chuvas quando investiam nos chiqueiros, brincavam com as cascas de feijão e sabugos de milho...”, leitura: “... jornais não apareciam nas fazendas comuns de meio termo. Livros, eram as novelas...”.
    Cascudo compara o senhor do engenho do fazendeiro, pelo trabalho executado, expondo a diversidade do ambiente de formação de seus homens. Compara o trabalho humano, escravo até 1888 e o regime de tarefa contratual ou jornaleiro.
    As disparidades entre a vida do senhor do engenho e a de seus homens: alimentação, indumentária e divertimentos.
    Segundo Cascudo, a festa mais tradicional do ciclo de gado nordestino é a vaquejada. Opinião que não difere da de quem conhece e admira tal esporte. “Mas na vaquejada se fazia também muitos negócios: vendia-se e trocava-se”.
    Continua sobre vaquejada: “A reunião de tantos homens, essência de divertimentos, distância vencida, tudo concorria para aproveitar-se o momento. Era a derrubada, prova legítima de habilidade e força, torneio sagrado de famas, motivo de cantadores que imortalizavam a façanha”. Assim, resume Cascudo, o que ainda hoje se cultiva como sendo em algumas regiões uma autêntica festa nordestina.
    O bumba meu boi, boi catemba, bumba, boi de reis, boi bumbá, reis do boi - como é conhecido em algumas regiões - é por demais conhecido e amado no sertão agreste e litoral, nas fazendas e nos engenhos de açúcar. As figuras centrais são de dois vaqueiros negros: Birico e Mateus, Fidélis e Bastião ou Gregorio, posteriormente incluíam elementos femininos - homens vestidos de mulher - Catarina ou Rosa. As ‘damas’ são rapazes sob a roupa feminina.
     Cascudo cita que o cavalo é o animal favorito. Além do mais, é companheiro aliado do homem e do vaqueiro. Andar a cavalo e tê-lo era título de elevação social e ninguém montava sem permissão do dono.
         Eis o Cascudo reconhecido mundialmente e, ainda, desconhecido de jovens que não receberam, talvez, o estímulo e  acessos necessários à sua obra.
         Luís da Câmara Cascudo nasceu em Natal, em 30 de dezembro de 1898 e faleceu também em Natal, em 30 de julho de 1986, foi historiador, folclorista, antropólogo, biógrafo, advogado e jornalista. Deixou mais de 150 obras.  

Publicado no O MOSSOROENSE, em 29 de novembro de 1987               

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ROBSON CARVALHO


Nosso tempo: de livros, fatos, gente e lugares.           


Artigos já publicados em órgãos de imprensa.

Robson Carvalho, o Robinho.

        Nosso último perfil desta série de vencedores do Prêmio de Jornalismo Dorian Jorge Freire é o repórter fotográfico, Robson Carvalho de Melo, que venceu na categoria fotografia, exibida no blog do jornalista Pedro Carlos. 
        Robinho nasceu no bairro Bom Jardim, filho da areiabranquense, Maria Célia de Melo Silva, já falecida; e do pedreiro, Euziel Carvalho da Silva, natural de Mossoró. O casal teve quatro filhos.
         Robinho é divorciado e pai de Thiago Ferreira de Carvalho, de dez anos de idade.  Estudou em escolas públicas, como a Escola Estadual Cunha da Mota, Ginásio Centenário, Colégio Evangélico José Leôncio, de Santana, Centro de Educação Integrada Professor Elizeu Viana, Escola Estadual Lavoisier Maia e Escola Estadual Abel Freire Coelho. 
        Começou a trabalhar já na adolescência, vendendo ‘suspiro’, depois numa granja ‘matando’ frango; também trabalhou com um amigo, dono de uma carroça, até ter seu próprio negócio, um carrinho de balas.    
         Robinho contou com a sorte quando uma tia que morava nos Estados Unidos deu-lhe uma moto de presente, que usou para entregar jornais, pois pedira emprego a, então diretora de O MOSSOROENSE, Larissa Rosado.                    
         Em nova viagem da tia a Mossoró, esta lhe trouxe uma máquina fotográfica amadora. Robinho começou a fotografar gratuitamente aniversários dos membros da igreja que congrega. Um dia resolveu cobrar. Investiu, comprou um filme de 36 poses, fez as contas e faturou. Começou a criar gosto pela fotografia, então. A tia o ajudou a comprar uma câmera profissional, Zenit. Robinho a pegou e foi até Canindé Queiroz pedir emprego como fotógrafo na GAZETA DO OESTE.  
         Canindé deu o emprego porque percebeu que Robinho era esforçado e merecia uma oportunidade. Então o encaminhou para os fotógrafos Marquessoel de Castro e Raimundo Nunes, já falecido. Marquessoel o encarregou de ficar revelando as fotos no laboratório do jornal, embora Robinho estivesse ansioso para sair fotografando.
        Com o tempo, Robinho passou a sair com Shaolim, repórter policial. De lá para cá, já venceu alguns prêmios, como o concurso Auto da Liberdade e teve fotos publicadas em veículos de circulação nacional, como revistas e jornais FOLHA DE SÃO PAULO e JORNAL DO BRASIL.       
        Robinho também tem experiência como cinegrafista, com passagens pela sucursal da TV Tropical e pelo Canal 10, da TCM – TV Cabo Mossoró. Também fez parte do quadro de fotógrafos do JORNAL DE FATO. Hoje é dono do seu próprio negócio, presta serviço para jornais, agências de propaganda, de notícias e televisão. É o cinegrafista oficial do time do Potiguar.

Jornal PÁGINA CERTA, junho de 2007.


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EDILSON DAMASCENO

Posted by Lúcia Rocha
Nosso tempo: de livros, fatos, gente e lugares.          

Artigos já publicados em diversos órgãos de imprensa.


Edilson Damasceno com a Governadora Rosalba Ciarlini
      
      Hoje vamos contar a trajetória do jornalista natalense, Edilson Damasceno, que deveria ser Edilson Castilhos Damasceno, mas por um erro no cartório, foi registrado sem o sobrenome materno. Filho do militar já falecido, Euclides Damasceno da Mata, natural de João Câmara; e da dona de casa, Almira Castilhos Damasceno, natural de São José de Mipibu. Edilson Damasceno, vencedor do Prêmio Dorian Jorge Freire, na categoria Mídia Impressa, é repórter do caderno Mossoró, do JORNAL DE FATO.  
      Edilson Damasceno começou a trabalhar aos dezesseis anos de idade, como servente de pedreiro, tempos depois trabalhou como auxiliar de escritório. Foi levado para o jornalismo porque tinha o hábito de ler desde cedo e, por esse motivo, sua mãe costumava dizer que seria o único filho ‘a ser gente’. Sexto, de uma família de sete filhos, seu ingresso no jornalismo se deu através   do amigo advogado, Subhadro, que o indicou ao jornalista Franklin Jorge, que estava precisando de alguém para fazer uma pesquisa no jornal A REPÚBLICA. 
        Depois disso, Osho pediu para Edílson escrever algo para o DN REVISTA, suplemento do DIÁRIO DE NATAL. EdIlson escreveu alguns artigos e Osho gostou e publicou. Foi um pulo para atuar na sucursal de Mossoró do DIÁRIO DE NATAL, em 1995, onde começou pelo setor administrativo e passou a fazer matérias da área policial e cultura, quando o chefe da sucursal e os repórteres tiravam fériasFranklin Jorge, Aglair Abreu e Amâncio Honorato. Sua intenção era apenas ajudar. Edílson Damasceno é formado em Administração de Empresas, pela UFRN, e atualmente estuda Filosofia, na UERN. Quando concluir, pretende fazer comunicação.  
      Edilson ficou um ano no DIÁRIO DE NATAL e passou para O MOSSOROENSE, em  1996, saindo um ano e três meses depois. Atendendo convite, foi trabalhar no JORNAL DE HOJE, vespertino natalense. Lá ficou oito meses e voltou  para Mossoró, também a convite, para trabalhar na GAZETA DO OESTE. Chegou em março de 1998 e permaneceu até fevereiro de 2003. Foi repórter e editor do caderno Cidades, editor-assistente e editor-geral.  
         Edilson faz parte da equipe da Agência de Comunicação da UERN e presta assessoria de imprensa à Prefeitura de Grossos desde janeiro de 2005. É casado há onze anos com a professora Cleide, natural de Grossos e pai de Breno e Murilo, de 9 e 7 anos de idade, respectivamente, naturais de Mossoró. 

Jornal PÁGINA CERTA, junho de 2007.

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Nosso tempo: de livros, fatos, gente e lugares.   

Artigos já publicados em diversos órgãos de imprensa.

Larissa Newton: uma carioca no País de Mossoró


        Prosseguindo com a série dos vencedores do Prêmio de Jornalismo Dorian Jorge Freire, a enfocada de hoje é vencedora na categoria televisão, Larissa Newton, carioca, filha de alemão com ucraniana.
       Larissa fazia cursinho para o vestibular de Desenho Industrial, quando conheceu um primo canadense, então correspondente da AP, Associated Press, que acabara de ser transferido para o Rio de Janeiro e achou o maior barato a vida do primo, que cobriu conflitos na Irlanda. Larissa não passou naquele vestibular e tentou Direito, pois resolvera fazer carreira no Itamarati. Falava alemão, francês, inglês e ucraniano. Aprovada, desistiu após o terceiro semestre, transferindo-se para o curso de Jornalismo, na Faculdade Estácio de Sá. Era época da repressão militar e foi se envolvendo com os movimentos, inclusive fazia charges para jornais.
        Como estagiária do ÚLTIMA HORA, cobriu polícia e, como escrevia bem, foi promovida para o caderno de comportamento. O primo gostou do Brasil e não aceitando outra transferência lançou o jornal Brasil Energia, hoje revista. Larissa foi trabalhar no jornal do primo e na assessoria de imprensa de eventos internacionais, como a Feira de Petróleo e Gás, onde permaneceu por quase dez anos.
         Casou-se e teve dois filhos: André e Lucas, hoje residentes no Rio. Por motivos pessoais Larissa muda para o interior de São Paulo, São José do Rio Preto, terra natal do então marido. Lá, atuou na afiliada da TV RECORD, como produtora, repórter e editora, ficando oito anos, período em que nasceu a filha Victoria.   
         Larissa resolveu dar um tempo na Europa com a filha e passou dois meses. Quando retornou, trabalhou numa produtora de vídeo, que produzia programas para uma TV empresarial.
         Filha do engenheiro mecânico, Edgard Newton e de Wira Newton. O casal se conheceu e se casou na Alemanha, em seguida fugindo da guerra, vieram para o Rio de Janeiro, onde além de Larissa, também tiveram outro filho, engenheiro mecânico, residente na Suíça.
       Sua ligação com Mossoró se deve ao fato de seu pai ter vindo, trazido pelo industrial Soutinho, para implantar a CBS – Companhia Brasileira de Sal. O casal ficou residindo na cidade, porém ele faleceu há dois anos. Dona Wira gostou de Mossoró e não quis retornar para o Rio, pelo contrário, deixou na TCM – TV Cabo Mossoró - a cópia de um dvd contendo o currículo da filha jornalista, à contragosto dela, que não queria deixar o interior de São Paulo.
       Em pouco tempo a TCM procurou Larissa e a contratou em março do ano passado. Para ganhar o prêmio, Larissa, que é desquitada e mora com mãe e  filha, leu toda literatura sobre a invasão a Mossoró pelo rei do cangaço, Lampião. Um bom começo para quem está chegando na terra da resistência.      

Jornal PÁGINA CERTA, junho de 2007.
                                
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PEDRO CARLOS

Posted by Lúcia Rocha
Nosso tempo: de livros, fatos, gente e lugares.     

Artigos já publicados em diversos órgãos de imprensa.



              Dando continuidade aos perfis dos vencedores do Prêmio de Jornalismo       Dorian Jorge Freire, promovido pelo poder público municipal, o enfocado de hoje é o vencedor na categoria blog, Pedro Carlos Lopes Pinheiro.
          Pedro Carlos nasceu no bairro Bom Jardim, primogênito do casal Dimas Pinheiro da Silva e Ângela Maria Lopes Pinheiro. Ele natural de São Luís,  formado em Economia e dono de gráfica; ela apodiense, formada em Pedagogia e professora da rede estadual de ensino. O casal tem mais dois filhos: Fernanda, do departamento comercial da TV MOSSORÓ e Diego, diagramador e colunista da GAZETA DO OESTE.   
        Quando Pedro Carlos tinha quatro anos de idade, a família mudou-se para o Conjunto Abolição III, onde ele permaneceu até comprar sua casa, no Conjunto Santa Delmira.
        Pedro Carlos queria ser médico. Fez o primeiro grau na Escola Estadual Lavoisier Maia. Ali leu quase todos os livros da biblioteca. Porém, quando fazia o segundo grau na Escola Estadual Professor Abel Freire Coelho, um dia foi chamado à sala da diretoria. O jornalista Sérgio Oliveira estava à procura de estagiários para digitador de O MOSSOROENSE e a direção o havia indicado por seu desempenho escolar. Acabara de concluir o curso de datilografia e jamais ligara um computador. Era julho de 1992 e tinha apenas quinze anos.      
          Os pais não viram com bons olhos aquele emprego, porque o filho trabalhava o dia quase todo e recebia apenas meio salário mínimo, sempre atrasado. Mas a ficha só caiu quando Pedro Carlos foi promovido para repórter policial, por Cid Augusto, no ano seguinte. 
         Pedro Carlos chegou à editoria do concorrente, GAZETA DO OESTE, com dezenove anos de idade. Dois anos depois retornaria ao O MOSSOROENSE, como editor, deixando novamente o centenário para outro retorno à GAZETA DO OESTE e, de volta ao O MOSSOROENSE em 2003, deixou o cargo para ser o diretor de jornalismo da TV MOSSORÓ, até dezembro do ano passado.
         Pedro Carlos, que sempre estudou em escola pública, foi aprovado em dois vestibulares: Letras e Comunicação Social, ambos na UERN – Universidade do Estado do Rio Grande do Norte. Ele já havia vencido por três vezes, o Prêmio de Jornalismo UERN.
           Em 2004, Pedro Carlos lançou a revista CORAGEM e pretende investir num projeto ousado que é implantar a primeira redação para Internet, produzindo textos e matérias com áudio e vídeo. Desde novembro de 2006, Pedro Carlos está envolvido com seu blog, que abocanhou também o prêmio de Melhor Fotografia, de autoria de Robson Carvalho.
           Pedro Carlos confessa que já foi processado 48 vezes, por políticos, delegados, fiscais e até por colegas de profissão. Nunca aceitou entrar em acordo, jamais foi condenado e todas as sentenças lhes foram favoráveis.        
           Pedro Carlos é pai solteiro de Lívia, de dez anos; e de Pedro Júnior, de seis anos e pretende se casar este ano com uma colega.      


Jornal PÁGINA CERTA, 2007

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Eduardo Colin

Posted by Lúcia Rocha
 Nosso tempo: de livros, fatos, gente e lugares.


   
Em 2004, Eduardo entrevista a então prefeita de Mossoró, Rosalba Ciarlini...

...para o livro A CIRANDA DA ROSA. 

Eduardo concluiu Jornalismo na UFRN, trabalha na FM 96, de Natal, e assessora o vereador natalense, Ney Lopes Júnior 

           “Aos ofuscados vencedores do Prêmio Dorian Jorge Freire de Jornalismo, por quem ninguém se derreteu, parabéns!”, assim o jornalista Marcos Bezerra encerrou seu artigo no jornal O MOSSOEROENSE.
            Dou razão ao colega, mas não por isso, dedicarei quatro artigos aos vencedores da noite que reuniu estudantes e profissionais da imprensa local. Começo este com o jovem Bruno Eduardo Nascimento Costa, que é o nosso Eduardo Colin, vencedor na categoria rádiojornalismo, faturando quatro mil reais.  Conheci-o numa manhã na recepção da TCM, final de 2003. Ele andava na emissora em busca de uma oportunidade. Queria mostrar seu talento no vídeo e, para sua sorte, naquela noite a gente faria a cobertura do Rock Consertão e Eduardo aceitou ser nosso repórter. Gravou de primeira. Ou seja, câmera ligada, repórter manda bala, sem precisar regravar, para garantir o material. Naquela mesma noite ele recebeu alguns elogios. Disseram que iria longe. Eu jamais dirigira alguém assim, que gravasse de primeira.
              Bem, mas para entender porque aquele menino ousado, já com dezesseis anos pedira oportunidade numa emissora de televisão que acabava de estrear seu canal local, precisa conhecer a história desse jovem que hoje tem vinte anos de idade. Eduardo Costa começou a escrever em jornais aos quinze anos de idade, para O MOSSOROENSE, levado pelo então editor, Emerson Linhares; depois foi para o caderno ESCOLA, da GAZETA DO OESTE, pelas mãos de seu editor, Marcos Antonio; e escreveu sobre mídia no extinto JORNAL DE NEGÓCIOS, de Shaolim.
              Afastou-se dos jornais para escrever a biografia da então prefeita, Rosalba Ciarlini, que lançou em 2004, com 17 anos. Em 2005, foi aprovado no vestibular da UERN e, no início de 2007, obteve aprovação no vestibular de Comunicação Social, na Universidade Federal do Rio Grande do Norte, UFRN.     
              Eduardo é mossoroense, filho dos funcionários públicos, Francisco Jadismar, natural de Lucrecia; e de Neuza, natural de Almino Afonso; residentes em casa própria, no Conjunto Abolição II. O casal ainda tem Jones Jackson, dois anos mais jovem, vestibulando de Engenharia de Produção, na UFERSA.
              Eduardo já nasceu um comunicador. Quando criança, pedia microfone de brinquedo e sua brincadeira era imitar locutores. Começou a estudar no Colégio Passos Livres, do Jardim até a 7ª série. Depois no Colégio Menino Deus, onde concluiu o Ensino Médio. Ali começara a escrever no jornal da escola. Em casa sempre teve o incentivo dos pais, que assinavam jornais para incentivar a leitura. Dos colégios onde passou, trazia livros para ler em casa e logo quis um computador, no que foi atendido pelo pai.
               Os pais investiram no filho, que faria Direito, porém, na 7ª série mudou os planos para Jornalismo. A família não o incentivou, mas também não o desmotivou. Eduardo já vencera um Prêmio Uern de Jornalismo em 2005, faturando três mil reais. Um bom começo e um grande incentivo para um garoto à época com dezoito anos de idade.  
                Depois que gravamos o Rock Consertão, Eduardo cativou-me e passou a frequentar minha biblioteca. Deve ter lido metade dos meus livros e sempre queria aprender um pouco mais. Resolvi reciclá-lo porque ele queria melhorar, ficar mais maduro na profissão que escolhera. Resultado: Eduardo foi o primeiro aluno do que viria a ser a Oficina de Jornalismo Raibrito.
                 Aqui em Mossoró, Eduardo trabalhou no departamento de jornalismo da Rádio Abolição - FM 95 - e atualmente reside com parentes em Natal, onde trabalha na FM 96. O bom filho ganhou um carrinho dos pais, que temem que o
filho não mais retorne. 
                 Parabéns, Eduardo! Você é um campeão. 

Jornal PÁGINA CERTA, maio de 2007.    

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Concurso para jornalistas

Posted by Lúcia Rocha
Nosso tempo: de livros, fatos, gente e lugares.


          Muito bom esse tempo que vivemos de promotoria em defesa do povo, para fiscalizar e exigir o cumprimento das leis. Acompanhamos com satisfação a publicação de concursos e mais concursos, na esfera do poder público, dando oportunidade para aquelas pessoas que conquistaram seus diplomas por  próprios méritos, muitas vezes em universidades particulares.
         Tem coisa melhor do que concluir um grau superior e disputar as mesmas vagas em concursos, ou seja, encontrar as mesmas chances no mercado de trabalho em emprego público? Independente de parentesco, amizade, QI – quem indicou... 
          Maravilha mesmo! Porém, há publicação de concursos em todas as categorias profissionais, menos uma: jornalismo.
          O que acontece com o poder público que contrata jornalistas para suas assessorias, apenas baseado num quesito, o chamado cargo de confiança? Como se as outras atividades profissionais também não o fossem. E o que é pior: em alguns casos, assessoria sem graduação, sem experiência nenhuma nas lides jornalísticas. Que desconhece até o vocabulário da profissão. 
           Nós, jornalistas, vivemos exigindo posturas da sociedade, seja de políticos, ou qualquer outra atividade profissional. Ainda mais políticos, por estes viveram à custa de impostos, pagos com dinheiro do povo.
           Mas quando se trata de exigir para a classe, nós, jornalistas, talvez em nome da ética profissional, não legislamos em causa própria.
           Somos incompetentes para divulgar que mereceríamos concurso público? Por que sindicatos de jornalistas não buscam solucionar a falta de vagas no mercado de trabalho, em empregos públicos através de concursos?
           Sinceramente, no país de Mossoró, talvez, não há nenhum jornalista que esteja exercendo funções em assessoria, por aprovação em concurso, no poder público, em qualquer esfera, seja no município, estado, assembléia legislativa, câmara municipal, congresso nacional, justiça, universidade estadual, federal, enfim, quem souber, por gentileza, avise!
           Bem, as dúvidas decorrem do fato de, a própria universidade - públicas e particulares - que forma, não promove o concurso público. E, muito pelo contrário, contrata jornalista sem graduação. Então, para que a formação? Em Mossoró, o mercado de trabalho paga os mesmos valores, independente do diploma. Estamos formando jornalistas para atuarem em outro mercado. Outros estados.
           Quem entra numa faculdade de jornalismo, pelo menos no Rio Grande do Norte, tem a obrigação de saber que terá que começar muito cedo a fazer valer o QI, através de amigos no poder público, para se encaixar no perfil do tal cargo de confiança, do contrário, terá que se virar no concorrido mercado de trabalho de empresas privadas.
           Recentemente a Assembléia Legislativa do estado de São Paulo promoveu concurso público para contratação de jornalistas para ocuparem cargos de assessoria de imprensa para cada gabinete dos deputados estaduais, com salário em torno de nove mil reais. No país de Mossoró, nenhum vereador tem assessoria de imprensa. Nenhum. A Câmara Municipal  em toda sua história, teve apenas um assessor de imprensa, com graduação. Não tem mais.                               
           O que vemos diariamente nos jornais da cidade é a publicação de disse-me-disse de vereadores e, no dia seguinte, adivinhe! O próprio vereador se expõe em ligações telefônicas para os jornalistas e colunistas políticos, num jogo de desmentidos, que confunde o leitor-eleitor: não falei, não fiz, não vou dizer, não vou fazer. Simplesmente porque não tem assessoria. Que por si só, já evitaria esses desentendimentos.
           Quando uma pessoa pública não valoriza seu mandado, vale qualquer assessor. E cada um, tem o assessor que merece. Inclusive ele próprio. Tem quem mereça um açeçor – com Ç; tem quem mereça um asesor – com dois esses; e um gestor público ou legislador que sequer emprega um jornalista, jamais vai merecer o respeito devido dos veículos de comunicação, tanto quanto aquele que tem um assessor.
          Ele, o político ou gestor, vale qualquer coisa, qualquer nota, qualquer foto, qualquer fuxico. É usado como moeda de informação, para a assessoria do adversário. Quando este tem.  
          Daí que a gente continua lendo disse-me-disse, seguido de desmentidos; a gente assiste o que aconteceu na semana passada. Políticos que pegaram um vôo em Brasília e foram vetados num palanque, onde suas assessorias falharam e feio, porque poderiam ter evitado expô-los à execração pública. Foram barrados no palanque. Ao vivo e em cores, pela transmissão de televisão. 
           Naturalmente, que após o episódio, tentam justificar o veto, creditando  a culpabilidade a alguma assessoria: A ou B.
           Também colocada lá, pelo tal quesito cargo de confiança. 

Jornal PÁGINA CERTA, junho de 2008.

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AUGUSTO ESCÓSSIA NETO: FAZENDO ARTE NO CÉU  



             Vítima de sua própria ingenuidade. Assim encontro justificativa para tão brutal tragédia ocorrida na cidade que, até então, desconhecia qualquer caso semelhante.
             Augusto Escóssia, vítima de uma armação de jovens com menos de vinte anos de idade, jamais imaginaria que estaria imune ao tipo de atrocidade que lhe cometeriam. Talvez até por excesso de confiança em alguém que se dizia amigo.
             Augusto era um amigo de infância, crescido que fomos no centro da cidade. Participamos de brincadeiras de rua. Lucinha, sua irmã mais nova, e alguns de seus primos também faziam parte do grupo.  
             Crescemos. Cada um tomou seu rumo. Augusto, aprovado em concurso público para o INSS, logo atingiu a independência financeira, passou a morar sozinho, num lar que construiu com sua arte de decorar.
             Sempre alegre, alto astral. Rosto jovial e familiar seguia sua vida, sem ter que dar satisfação a ninguém.  
             No ano passado tive o prazer de reencontrá-lo. Primeiro através da rede mundial de computadores, no Orkut. Ele me achou e enviou uma mensagem. De lá para cá, dificilmente deixava de mandar recados inteligentes, do bem.
             Mas o reencontro físico foi no último dia 12 de dezembro, em jantar na casa de um irmão meu. Como uma grata surpresa Augusto chegou. Aquele jeito de meninão. Sorriso largo. De alguém que sempre está de bem com a vida.
              Por muito tempo conversamos. Ele com uma sede enorme para botarmos os assuntos em dia. Seguia-me todo tempo com os olhos, quando eu me afastava para, em seguida, chegar junto e puxar mais um assunto. Na despedida, ficou a promessa de um breve encontro. Então conversaríamos em sua casa.                   
              No dia da tragédia, coincidentemente, encontrei seu irmão, Frederik.  Aproveitei e pedi o telefone de Augusto. Fez melhor. Ligou para o celular dele e me passou o aparelho. Falei com um Augusto apressado, apreensivo e ansioso. Diferente do nosso último encontro. Algo me deixou indignada naquele papo. Dizia que estava de férias e, depois, marcaria um encontro. Cheguei         a pensar que estivesse em alguma praia e eu, incomodando seu lazer.
              Era quase meio dia. 
              Ficou a impressão de que não haveria aquele encontro. 
              Foi a última vez que nos falamos.

Jornal PÁGINA CERTA, janeiro de 2007

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IRMÃ ELLEN: DA ALEMANHA PARA O PAÍS DE MOSSORÓ   



   Recentemente o bilionário americano – banqueiro e filantropo – David Rockefeller, único neto vivo de John Rockefeller, o homem mais rico do mundo no início do Século XX - em entrevista a VEJA disse o segredo para manter o vigor aos 91 anos de idade: “Simplesmente ainda acho a vida fascinante e espero por cada novo dia. Vou ao escritório diariamente e viajo bastante. Continuo curioso sobre o mundo e tudo o que há nele. Espero que as pessoas se lembrem de mim como alguém que se preocupou com o mundo em que viveu e fez o que pôde para torná-lo um lugar melhor”.



    Bem, o autor da frase acima é dono de uma fortuna pessoal estimada em 2,6 bilhões de dólares e figura entre as trezentas pessoas mais ricas da atualidade. Já veio dezenas de vezes ao Brasil, foi proprietário de fazenda no Mato Grosso e sua filha Peggy trabalhou como voluntária em favelas cariocas.             
    Mas o que chama a atenção em sua entrevista é seu comentário sobre filantropia, já que sua família é conhecida mundialmente nessa área. “Penso que é possível ganhar dinheiro e também se preocupar com a qualidade de vida da sociedade”, disse.
    Algumas pessoas pensam assim. Por exemplo, há alguém oriunda da classe média alta da Alemanha - tão distante do país de Mossoró - que aqui aportou em 1978 e fundou uma das obras sociais mais bonitas do Nordeste brasileiro: a irmã Ellen que, juntamente com sua irmã biológica, a médica Cristina, não faz outra coisa a não ser se doarem aos mais necessitados.
    O Lar da Criança Pobre de Mossoró é uma entidade mantida por amigos alemães e brasileiros e que atende adultos e crianças em mais de dez projetos sociais, num trabalho anônimo, executado por voluntários sob a direção da Irmã Ellen, filha de um engenheiro e empresário, o primeiro parceiro dessa grande obra.
    Há de se perguntar: que espécie de gente é essa que deixa tudo para trás, sua história, família e amigos, partindo para um local desconhecido, somente em busca de colaborar para um mundo melhor? São pessoas especiais, de alguma forma, guiadas por Deus para fazer o bem a quem está necessitando de algo e são pouquíssimas que fazem isso hoje.
    É gente que segue a máxima do Evangelho: “Ama a teu próximo como a ti mesmo, fazendo a ele o quereis que vos façam”.
    Este é um dos caminhos que leva o homem a alcançar saúde e paz, contribuindo para um mundo melhor. 


Jornal PÁGINA CERTA, dezembro de 2006
           

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A televisão brasileira nos últimos tempos tem revelado talentos na linha do humor. Há muito não aparece alguém que se destaque por sua atuação na linha de programas de auditório, a não ser Eliana, nas tardes de domingo, no SBT, com bons índices de audiência.        Em 1999, a cidade de São Paulo serviu de cenário em uma forte campanha de marketing para divulgar nova atração na TV Bandeirantes. Centenas de outdoors espalhados pela cidade anunciavam a apresentadora do programa matutino Dia a Dia, Olga Bongiovanni, um nome desconhecido do grande público, até então.        Quem seria aquela mulher, já aparentando algo em torno dos quarenta anos de idade, causando curiosidade tão comum em jornalistas que cobrem a mídia? No dia prometido para a estréia, quis saber de quem se tratava pois, certamente, de alguém que valeria a pena todo aquele investimento.        Eis que surge uma pessoa simpática, bonita e magra, ingredientes para o caminho do sucesso numa carreira em televisão. Porém, Olga B…

CENTENÁRIO DE DIX-HUIT ROSADO

DIX-HUIT ROSADO
        No dia 21 de maio de 1912, há cem anos, nascia em Mossoró, Rio Grande do Norte, Jerônimo Dix-huit Rosado Maia, filho do paraibano de Pombal, Jerônimo Ribeiro Rosado, casado em segundas núpcias com a conterrânea, Isaura Rosado Maia, irmã da primeira esposa, Maria Amélia Henriques Maia, de quem enviuvara.  Jerônimo era filho de um português de Coimbra, Jerônimo Ribeiro Rosado, que residia há muito tempo em Pombal. Formado em Farmácia, pela Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, o Jerônimo Rosado, ou seu Rosado, como era tratado em Mossoró, migrou para esta cidade, em 1890, à convite de um médico, com quem se associara para abrir a Farmácia Rosado. Seu Rosado registrou seus filhos e filhas com nomes esquisitos, o que já rendeu a participação de alguns de seus descendentes no Domingão do Faustão. Seu biógrafo, Luís da Câmara Cascudo conta no livro lançado em 1967, Jerônimo Rosado – Uma Ação Brasileira na Província que, seguindo a …

O SUCESSO DA REFIMOSAL